mas das
respostas que Ned procurava. Certamente Lysa sabia
mais do que se atrevera a colocar na carta. Podia até
possuir as provas de que Ned necessitava para levar
a ruína aos Lannister; e, se chegassem à guerra,
necessitariam dos Arryn e dos senhores orientais que
lhes prestavam vassalagem.
Mas a estrada da montanha era perigosa. Gatos-das-
sombras patrulhavam essas passagens, avalanches de
rochas eram comuns, e os clãs das montanhas eram
salteadores sem lei, descendo das alturas para roubar
e matar, e derretendo como neve sempre que os
cavaleiros partiam do Vale á sua procura. Mesmo
Jon Arryn, um senhor tão grande como os melhores
que o Ninho da Águia conhecera, viajara sempre
escoltado quando atravessava as montanhas. A única
escolta de Catelyn era um cavaleiro idoso, armado de
lealdade.
Não, pensou, Correrrio e Ninho da Águia teriam de
esperar. Seu caminho corria para o norte até
Winterfell, onde os filhos e o dever a esperavam.
Assim que tivessem passado o Gargalo em segurança,
poderia anunciar-se a um dos vassalos de Ned e
enviar homens a cavalo na frente com ordens para
montar uma vigia na estrada do rei.
A chuva obscurecia os campos para lá do
cruzamento, mas Catelyn via o terreno com
suficiente clareza na memória. O mercado era
justamente do outro lado da estrada, e a aldeia, a
uma milha mais para a frente, meia centena de casas
brancas rodeando um pequeno septo de pedra. Agora
deveria haver mais; o verão fora longo e pacífico.
Para norte dali, a estrada real acompanhava o Ramo
Verde do Tridente através de vales férteis e bosques
verdes, passando por aldeias meias de vida, sólidas
fortificações e os castelos dos senhores do rio.
Catelyn conhecia-os todos: os Blackwood e os
Bracken, eternos inimigos, cujas disputas o pai era
obrigado a mediar; a Senhora Whent, a última de
sua linhagem, que vivia com seus fantasmas nas
abóbadas cavernosas de Harrenhal; o irascível Lorde
Frey, que sobrevivera a sete esposas e enchera seus
castelos gêmeos de filhos, netos e bisnetos, e também
de bastardos, filhos e netos. Todos eles eram
vassalos dos Tully, com as espadas juramentadas a
serviço de Correrrio. Catelyn perguntou a si mesma
se seria suficiente, caso se chegasse à guerra. O pai
era o homem mais firme que já vivera, e não tinha
dúvida de que chamaria os vassalos..., mas será que
estes viriam? Também os Darry, os Ryger e os
Mooton tinham prestado juramento a Correrrio, e no
entanto tinham lutado com Rhaegar Targaryen no
Tridente, enquanto Lorde Frey chegara com seus
recrutas muito depois de a batalha ter chegado ao
fim, deixando algumas dúvidas quanto ao exército a
que planejara juntar-se (o deles, assegurara
solenemente aos vencedores depois de tudo terminar,
mas daí em diante o pai chamara-o sempre o
Atrasado Lorde Frey). Não se devia chegar à guerra,
pensou fervorosamente Catelyn. Não deveriam
deixar que se chegasse.
Sor Rodrik veio falar com ela no momento em que o
sino terminava o seu chamado.
- E melhor que nos apressemos se quisermos comer
esta noite, minha senhora.
- Talvez seja mais seguro se não nos apresentarmos
como cavaleiro e senhora até passarmos o Gargalo -
ela disse. - Viajantes comuns atraem menos atenção.
Um pai e uma filha que tomaram a estrada por causa
de algum assunto de família, por exemplo.
- Como desejar, minha senhora - concordou Sor
Rodrik. Só quando ela riu é que compreendeu o que
acabara de dizer. - A velha cortesia custa a morrer,
minha... minha filha - tentou puxar pelas barbas
desaparecidas e suspirou, exasperado.
Catelyn tomou-lhe o braço.
- Venha, pai - ela disse. - Descobrirá que Masha Heddle serve
bem sua mesa, penso eu, mas procure não elogiá-la. Garanto
que não vai querer vê-la sorrir.
A sala de estar era longa e cheia de correntes de ar, com uma
fila de enormes barris de madeira numa ponta e uma lareira
na outra. Um criado corria de um lado para o outro com
espetos de carne, enquanto Masha tirava cerveja dos barris,
sem jamais parar de mascar sua folhamarga.
Os bancos estavam cheios de gente, com pessoas da aldeia e
agricultores misturando-se livremente com todos os tipos de
viajantes. Os cruzamentos geravam estranhos companheiros;
tintureiros de mãos negras e purpúreas partilhavam o banco
com homens do rio que fediam a peixe; um ferreiro musculoso
apertava-se ao lado de um mirrado velho septão;
experimentados mercenários e moles e rechonchudos
mercadores trocavam notícias como alegres companheiros.
A companhia incluía mais homens de armas do que Catelyn
teria preferido. Três junto ao fogo usavam o símbolo do
garanhão vermelho dos Bracken, e havia um grande grupo
em cota de malha de aço azul e capas de um cinza-prateado.
Em seus ombros ostentavam outro selo familiar, as torres
gêmeas da Casa Frey. Estudou-lhes os rostos, mas eram todos
novos demais para a terem conhecido. O mais velho entre eles
não teria mais idade que Bran na época em que ela partiu
para o norte.
Sor Rodrik encontrou um lugar vago para eles no banco que
ficava perto da cozinha. Do outro lado da mesa,